Patagônia Argentina, Uma Viagem ao Fin Del Mundo … Ushuaia

“O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada.”

(Cora Coralina)

Chegamos a Ushuaia já noite, por volta das 23 horas e fomos direto para o Hotel Villa Brescia, na principal avenida da cidade.  Estava frio, úmido e ventava bastante.

De acordo com a Wikipédia, Ushuaia é a capital da Província da Terra do Fogo. Seu nome provém do idioma indígena yagan:ushu + aia (fundo + baía = baía profunda). Está localizada no extremo sul da América do Sul, é chamada de  a cidade mais austral do mundo por ser a última antes da Antártida. Inclusive é o ponto de partida para as excursões para aquela região. É banhada à Leste pelo Oceano Atlântico e ao Sul pelas águas do Canal do Beagle.

Foi colonizada por europeus em meados do século XIX com a instalação de missões para catequizar os indígenas, que acabaram sendo devastados pelas doenças trazidas pelos próprios colonizadores.

Em 1896 aportou na região o primeiro comboio de condenados para a construção de uma colónia penal para presos com grandes penas a cumprir ou condenados à prisão perpétua. Este presídio encerrou suas atividades em meados do século XX devido às condições desumanas que os presos viviam.

Na manhã seguinte, partimos para um passeio pelo Parque Nacional Tierra del Fuego, numa locomotiva que se movimentava à 15 km por hora na velha ferrovia, numa réplica do trem que  transportava os prisioneiros que eram obrigados a trabalhar  no corte de árvores para o abastecimento da cidade, inclusive para produção da calefação para manter os habitantes aquecidos, na época do funcionamento do presídio.

A ferrovia passou por florestas centenárias, colinas, rios, lagos, cachoeiras, turfeiras, diques de castores e até mesmo a reconstrução de um assentamento nativo.  O que mais me chamou a atenção foi o local conhecido como o “Cemitério das Árvores”, resultado do desmatamento causado pelo corte das árvores citado acima.

O trem partiu da Estação Del Fin Del Mundo, que ficava há uns 8 km da cidade, na Route 3 KM 3065, 5, telefone: +54 2901 43-1600, www.trendelfindelmundo.com.ar/ e percorreu aproximadamente 14 km até a Estación del Parque, dentro do parque. Durante todo o trajeto, um autofalante contava a história do local e da rotina sub-humana dos presos que trabalhavam na região. Um tanto fúnebre, mas interessante conhecer a história. Tivemos uma parada na Estação Macarena onde vimos o assentamento Yámana, uma das tribos indígenas que habitavam a região, sendo reconstruído. Subimos no mirante para apreciar a vista do Vale do Rio Pipo e a nascente da cascata “La Macarena”, na famosa montanha Le Martial. E conhecemos uma espécie vegetal típica da região, de nome turbal, que nada mais é do que restos de vegetação, como musgos e gramíneas acumuladas durante anos e anos e que não se decompõem com facilidade, conforme informação do guia, este tipo de matéria orgânica acontece devido às características da região como temperatura e o tipo de solo e como absorve água, os lagos próximos acabam secando.

De jipe percorremos o Lago Roca e fizemos uma caminhada margeando o lago e o Rio Lapataia, onde tivemos a oportunidade de apreciar a fantástica vista do Cerro Condor – no seu cume fica a fronteira com o Chile- e o famoso Canal do Beagle, deságue dos rios da região, depois fomos conhecer a Lagoa Verde e a Lagoa Negra.

Retornamos pra Ushuaia ainda a tempo de embarcar num catamarã para um passeio pelo Canal Beagle, com duração de 6 horas. O Canal Beagle, também conhecido como Estreito de Beagle, tem esse nome devido ao navio HMS Beagle, que fez expedições por aquela área e numa dessas viagens levava a bordo, Charles Darwin. É um canal que faz a ligação entre o Oceano Atlântico e o Pacífico.

DSC00577

Este passeio foi comprado no próprio porto chamado de Cais do Turista, na empresa Rumbo Sur que fica na Rua San Martin 350, telefone 0054 (2901) 421.139, com boleteria de venda no Puerto de Ushuaia, telefone 0054 (2901) 421.039, www.rumbosur.com.ar, e-mail lineab@rumbosur.com.ar.

Saímos por volta das 16:00 horas e iniciamos o passeio desfrutando  da bonita vista panorâmica da costa do Ushuaia, além das montanhas Olivia e Cinco Hermanos. Fomos em direção ao Faro Les Eclaireurs, e nas proximidades pudemos observar partes do barco Monte Cervantes, que tragicamente naufragou, nos idos de 1930. Toda a região é cheia de rochas submersas.

DSC00621

A Isla de Los Pájaros estava bem próxima e paramos para ver os corvos-marinhos, Cormoranes Magallánicos, Cormoranes Imperiales, os majestosos albatrozes de sobrancelha negra, os Petréis Fullman, Petréis Gigantes… eram muitas espécies diferentes de aves marinhas vivendo no seu habitat natural. Em seguida rodeamos a Isla de Los lobos onde observamos muitos lobos marinhos vivendo em perfeita harmonia com a natureza.  Foi maravilhoso ver bem de perto esses mamíferos grunhindo, brincando e brigando por seu território.

Em seguida o catamarã dirigiu-se para a Ilha Martillo para observarmos os charmosos pinguins de Magalhães. Optamos pelo passeio que não permitia descer na Ilha para caminhar entre os bichinhos, pois, caso contrário nossa viagem seria mais longa e por terra. O barco ancorou bem próximo da terra e deu pra apreciar super  bem a colônia de pinguins que migram para esta ilha todos os anos, entre novembro e março, para se reproduzirem. O mais difícil foi suportar o vento e o frio no exterior do barco. Mas valeu a pena assistir o espetáculo proporcionado por centenas de pinguins que pareceriam andar e dançar sincronizados, como se estivessem se exibindo para nós. Eles eram muito estilosos! Foi um passeio fantástico!

O retorno foi direto sem paradas, mas não dava para permanecer fora da cabine devido ao frio, aproveitamos para tomarmos uma cerveja gelada no frio da Patagônia e trocarmos ideias com um casal de brasileiros que conhecemos no passeio, Tatiana do Rio de Janeiro e Cauê de São Carlos/SP.

Ao final do passeio ganhamos uns tíquetes para chocolate quente numa loja no centro da cidade.

Chegamos às 22h00min no Porto de Ushuaia, ao cair da noite e fomos com o casal que conhecemos,  tentar jantar no famoso Restaurante Tia Elvira, pois, não havíamos feito reserva, na Av. Maipu num sobrado bege.

Tivemos sorte, apesar da fila grande na escada da entrada do restaurante, o próprio cozinheiro, como que num passe de mágica, abriu uma porta na metade da escada, pois estava aguardando um grupo de brasileiros que jantava ali todos os anos, naquela época, num espaço reservado só pra eles. Como ele tinha uma mesa pra quatro pessoas vazia naquele local, nos convidou pra sentarmos lá e lógico, aceitamos na hora.

Ficamos num local reservado,  com garçom exclusivo e pedimos pratos à base da culinária local: uma deliciosa Merluza Negra, peixe encontrado nas profundezas das águas geladas da Patagônia, de sabor intenso e carne tenra e  um crustáceo parecido com um caranguejo, mas de tamanho muuuito maior, que habita o leito das águas frias dos mares do sul da América do Sul, chamado de Centolla Patagônica ou   Centolla Austral.  Os pratos estavam divinos e foram acompanhados de um delicioso vinho local. Os vinhos da Patagônia são ótimos e com preços muito acessíveis. Dá pra se tomar muito vinho!

Após o café da manhã do dia seguinte, fizemos um belo passeio a pé pelo calçadão à beira-mar e pelo centro da cidade para conhecer os diversos pontos turísticos, como o Museu do Fim do Mundo, a Praça Cívica, a Antiga Residência de Governo, o Armazém de Secos e Molhados e o Antigo Templo de Nossa Senhora de La Merced, o Monumento às Ilhas Malvinas, o Monumento à Evita e outros lugares legais.

A rua principal da cidade é a Avenida San Martín, onde está centralizado o comércio e alguns edifícios históricos. Aproveitamos para tomarmos aquele chocolate quente dos tíquetes do dia anterior e fomos à loja da H. Stern para recebermos o souvenir que ganhamos ao comprarmos o passeio pelo Canal do Beagle, um pequeno pin em forma de pinguim. Depois visitamos algumas lojas, queríamos conhecer a famosa pedra rodocrosita, considerada a pedra da Argentina.

Almoçamos no Restaurante Bodegon Fueguino, na Av. San Martín 859, especializado em carne de cordeiro patagônico. Lugar pitoresco e comida gostosa!

restaurante

Após descansarmos um pouco, resolvemos subir até o Glaciar Martial. Pegamos um taxi até a base e subimos de teleférico até o topo do glaciar.

DSC00702.JPG

Mesmo com um frio rachante, fizemos uma bela caminhada pela montanha, que tinha parte ainda com neve e parte com uma vegetação bem seca e árida, além de uma densa floresta com árvores bem verdes, mas a vista lá de cima era arrasadora, incrivelmente linda! Estendia-se pela cidade de Ushuaia, indo do Canal Beagle até os Andes.

Independente da época do ano, o Glaciar Martial tem uma temperatura muito baixa, podendo inclusive nevar. E isto aconteceu conosco. Ao descermos no teleférico, pequenas pedrinhas de gelo começaram a cair do céu. Foi lindo! Pra quem nunca tinha visto neve, foi demais!

DSC00767

Como no Ushuaia o sol se põe por volta das 22 horas, ainda tínhamos tempo pra passear. Era a vez de conhecermos o Museo do Presídio e carimbarmos nosso passaporte na passagem pelo Fim do Mundo.

O presídio foi construído com cinco pavilhões ao redor de um pátio central, cada pavilhão continha 76 celas que chegaram a abrigar mais de 600 presidiários. Olhando uma foto com vista aérea da construção, me fez lembrar o formato de uma Centolla.

O pavilhão nº 4 havia sido reformado e suas celas continham bonecos, móveis e objetos que representavam a vida cotidiana no presídio. Era bastante sinistro.

No complexo do antigo presídio funcionava o Museu do Presídio de Ushuaia, o Museu Marítimo, O Museu da Antártida e o Museu de Arte Marinha. O local é aberto ao público todos os dias da semana, das 10h às 20h. O bilhete, vendido no próprio local, dava acesso à visitação a todo o complexo de museus. Fizemos um tour com duração de cerca de 2 horas por todo o local. Conhecemos um pouco da história do antigo presídio, dos navios e das expedições que passaram por Ushuaia e pela Terra do Fogo, dos maiores feitos destas expedições, na Antártida, além de uma exposição de fósseis e muita informação sobre a geografia, fauna e flora local.

No antigo prédio também funcionava uma lanchonete, uma loja de souvenires e um posto dos Correios, onde podíamos enviar cartões postais com selo de Ushuaia, para qualquer lugar do mundo.

Contato do Museu :yaganes & Gobernador Paz, Ushuaia – CEP: 9410
Telefone: +54 2901 43-7481
Site: http://www.museomaritimo.com
Horário: Seg–Dom: 10:00–20:00

Nesta mesma noite, por volta das 22:30 h fomos jantar no Maria Lola Restó, havíamos reservado mesa  por indicação do pessoal do hotel. Fica na Gdor. Deloqui 1048, telefone +54 2901 42-1185. O lugar era lindo, super aconchegante, com direito à vela na mesa e vista  pro mar do Canal do Beagle e pra completar, a comida era fantástica.

No último dia de viagem, fizemos nosso último rolé pela cidade, tomamos outro chocolate quente, almoçamos Centolla na Cantina Fueguina de Freddy, na Av. San Martin 318, Telefone (02901) 421887, site www.lacantinafueguina.com.ar. Neste restaurante tinha algo muito curioso: um aquário com os grandes caranguejos e tivemos a chance de pegá-los na mão.

Foi uma maneira divertida e diferente de finalizar nossa aventura pelo Fin Del Mundo.

DSC00848
Este crustáceo é encontrado nos mares de água gelada. É um prato típico do Chile também.
Anúncios

2 comentários em “Patagônia Argentina, Uma Viagem ao Fin Del Mundo … Ushuaia

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s